Colóquio: Saúde e Estilos de Vida na Adolescência

Publicado em 07-12-2004

“Saúde e Estilos de Vida na Adolescência” assim foi denominado o colóquio que se realizou no auditório do Palácio do Infantado no passado dia 7 de Dezembro de 2004 pelas 21h30.
Organizado pela Junta de Freguesia de Samora Correia este foi um colóquio bastante interessante para todos, abordou vários temas do nosso quotidiano, como o consumo de tabaco, álcool e drogas ilícitas, hábitos alimentares, violência, acidentes, ambiente na escola, bem-estar e apoio familiar entre outros, relacionado com a adolescência.
O colóquio teve como Oradora a Dr.ª Celeste Simões, Docente da Faculdade de Motricidade Humana da Universidade Técnica de Lisboa.
A Drª. Celeste Simões com a sua capacidade comunicativa, conseguiu cativar o vasto público presente ao longo de mais de duas horas.

Saúde e estilos de vida na adolescência

A adolescência é um tempo de crescimento, de desenvolvimento de uma progressiva maturidade a nível biológico, cognitivo, social e emocional. Nas sociedades modernas não existe um acontecimento único que marque o fim da infância ou o início da adolescência. Esta transição envolve um conjunto de mudanças graduais em múltiplas esferas da condição humana, que ocorrem durante um período mais ou menos alargado, e que preenchem toda a adolescência.

Um dos temas centrais da adolescência continua a ser a forma como se ultrapassam estas mudanças, transições, desafios, crises, necessidades ou o quer que se lhe chame. Encontram-se sempre dois lados da questão: o pessimismo e o optimismo. Para uns, a adolescência é um período de mudanças dramáticas a nível familiar, a nível escolar, ao nível das amizades, a nível profissional. É um período de confusão, de sentimentos paradoxais, excitação e ansiedade, felicidade e tristeza, certezas e incertezas. E como se não bastasse, estas dúvidas não se limitam ao jovem, mas alastram aos outros que com ele privam, nomeadamente pais, professores e amigos que vivem também os seus próprios problemas. Para outros, a maioria dos jovens está preparada para lidar com as mudanças biológicas, cognitivas, emocionais e sociais da adolescência e ultrapassá-las com sucesso. De acordo com esta perspectiva, parte dos problemas que surgem na adolescência não têm consequências graves ou a longo prazo. Devem pois ser equacionados como fazendo parte do desenvolvimento normal, como formas exploratórias necessárias ao desenvolvimento, ou como reflexo de um desfasamento entre a maturidade biológica e a maturidade social.

Para além destas questões, uma questão inequívoca nesta etapa da vida, é o facto de que a adolescência é um período crítico na cronologia da saúde. Muitas das escolhas com impacto na saúde e que perduram por longo tempo, são feitas neste período de vida. Talvez esta constitua uma das razões para o facto do estudo dos problemas de comportamento continuar a dominar a literatura do desenvolvimento do adolescente nos últimos anos, quando se sabe actualmente que a maioria dos adolescentes ultrapassam este período sem desenvolverem dificuldades significativas em termos sociais, emocionais ou comportamentais. No entanto, apesar da adolescência ser geralmente considerada como um período de saúde, dada a menor vulnerabilidade dos jovens à doença, vários factores colocam em risco a saúde dos indivíduos. Um dos factores que se destaca dos demais na adolescência é o comportamento de risco. Os comportamentos de risco estão frequentemente associados a vários sintomas de mal-estar, quer no presente, quer no futuro. Torna-se pois importante conhecer os comportamentos e estilos de vida dos adolescentes, nos seus diferentes contextos de vida, no sentido de se perceberem os factores que a eles estão aliados. Apenas conhecendo os factores que colocam os jovens em risco, bem como os factores que os protegem de potenciais problemas, se torna possível delinear intervenções preventivas deste tipo de problemas.

Precisamente com o objectivo de conhecer os comportamentos e estilos de vida dos adolescentes em idade escolar, nos diferentes contextos das suas vidas, o projecto Aventura Social, da Faculdade de Motricidade Humana, desenvolve um estudo colaborativo da Organização Mundial de Saúde, que se realiza de 4 em 4 anos e no qual estão envolvidos 35 países. O estudo denomina-se “HBSC - Health Behaviour in School-aged Children / Comportamentos de saúde em crianças em idade escolar”, e teve início em 1982. Portugal tornou-se membro em 1995. Em 1996 realiza um estudo piloto, em 1998 realiza o primeiro estudo efectivo, e em 2002 o segundo estudo, que permite avaliar, entre outros aspectos, as tendências evolutivas em termos de saúde na adolescência. São diversas as áreas de estudo incluídas neste estudo:

Consumos de tabaco e álcool e drogas ilícitas
Hábitos alimentares
Violência
Acidentes
Ambiente na escola
Expectativas futuras
Bem-estar e apoio familiar
Sintomas físicos e psicológicos
Imagem pessoal
Prática do exercício físico/desporto
Consumo de drogas
Crenças e atitudes face a indivíduos portadores do VIH/SIDA
Comportamento sexual
Relações com os pares
Lazer
Doença crónica / deficiência

Em 2002, o estudo nacional teve como parceiros, as seguintes entidades:

Fundação para a Ciência e a Tecnologia / Ministério da Ciência e do Ensino Superior (Projecto POCTI 37486/PSI/2001)
Comissão Nacional de Luta Contra a Sida
Faculdade de Motricidade Humana / UTL
Instituto de Higiene e Medicina Tropical / UNL
Health Behaviour in School-aged Children / Organização Mundial de Saúde

A informação relativa aos estudos realizados em Portugal poderá ser consultada no site: http://www.fmh.utl.pt/aventurasocial/